Leitura complementar

Livro: Quebre todas as regras – De Marcus Buckingham – Capitulo 1

(…)      Nos últimos 25 anos, a Gallup entrevistou mais de um milhão de trabalhadores. Fizemos a cada um deles centenas de perguntas diferentes sobre todos os aspectos concebíveis do local de trabalho. Como se pode imaginar, 100 milhões de perguntas são um imenso palheiro de dados. Em seguida, precisamos vasculhá-lo palha por palha, para acharmos a agulha. Tivemos que escolher perguntas-chave, que serviriam de medida para um excelente ambiente de trabalho.

Isto não foi fácil. Se você tem em mente uma estatística, provavelmente pode arriscar um palpite sobre como abordamos um problema – uma combinação de discussões em grupo, analise estatística, análise de regressão, estudos de validade concorrente e entrevistas de acompanhamento.

Mas, se você pensa que a estatística é o equivalente mental de algo tão simples como desenhar com giz o contorno da sua mão em um quadro-negro, a seguinte imagem pode ajudá-lo a entender o que estamos tentando fazer.

Em 1666 Isaac Newton fechou as cortinas de sua casa em Cambridge e sentou-se em uma sala escura. Do lado de fora o sol brilhava forte. Dentro da casa, Newton fez um pequeno buraco em uma das cortinas e colocou nele um prisma de vidro. Quando o sol passou pelo buraco, atingiu o prisma e um bonito arco-íris se desdobrou na parede diante dele. Ao observar o perfeito espectro de cores que brincava em sua parede, Newton percebeu que o prisma havia fragmentado a luz branca e refratado as cores em graus diferentes. Ele descobriu que a luz branca era, de fato, uma mistura de todas as outras cores do espectro visível, do vermelho-escuro ao mais profundo violeta, e que o único modo de criar a luz branca era reunir todas as cores em um único feixe.

Queríamos que nossas análises estatísticas executassem o mesmo truque do prisma de Newton. Queríamos que fragmentassem os melhores locais de trabalho para revelar seu núcleo. Poderíamos então dizer aos gerentes e as empresas: “Se conseguir juntar todos esses elementos essenciais em um único lugar, criará o tipo de ambiente de trabalho capaz de atrair, motivar e manter os funcionários mais talentosos.”

Assim, pegamos nossa montanha de dados e buscamos padrões. Que perguntas eram apenas meios diferentes de medir o mesmo fator? Quais as melhores perguntas para medir casa fator? Não estávamos particularmente interessados naqueles que proporcionassem um unânime: “Sim, concordo plenamente.” Nem inclinados a levantar questões que seriam respondidas com: “Não, discordo totalmente.” Em vez disso, procurávamos as perguntas especiais as quais os funcionários mais comprometidos – os que eram leais e produtivos – responderiam de maneira positiva, enquanto o restante – os de desempenho mediano e os preguiçosos – responderia de modo neutro ou negativo.

Perguntas que julgávamos vencedoras certas e fáceis – como aquelas relacionadas a remuneração e aos benefícios – tombaram sob a faca analítica. Ao mesmo tempo, perguntas inofensivas como “Sei o que esperam de mim no trabalho?” – tomaram a dianteira. Cortamos e selecionamos. Revisamos e refizemos, cavando casa vez mais fundo para encontrar o cerne de um ótimo ambiente profissional.

Quando a poeira por fim assentou, realizamos uma descoberta: a mensuração da força de um local de trabalho pode ser reduzida a 12 perguntas. Essas 12 perguntas não captam tudo que você pode querer saber sobre o seu ambiente de trabalho, mas captam a maior parte da informação e a informação mais importante. Elas medem os elementos essenciais necessários para atrair, motivar e manter os funcionários mais talentosos.

São Elas:

  1. Sei o que esperam de mim no trabalho?
  2. Tenho os materiais e equipamentos necessários para realizar o meu trabalho corretamente?
  3. No meu trabalho, tenho a oportunidade de fazer o que faço de melhor todos os dias?
  4. Nos últimos 7 dias, recebi algum reconhecimento ou elogio por realizar um bom trabalho?
  5. Meu supervisor, ou alguém do meu trabalho, parece importar-se comigo como pessoa?
  6. Há alguém em meu trabalho que estimula o meu desenvolvimento?
  7. No meu trabalho, minhas opiniões parecem contar?
  8. A missão/objetivo da minha empresa me faz sentir que meu trabalho é importante?
  9. Meus colegas de trabalho estão comprometidos em realizar um trabalho de qualidade?
  10. Tenho um melhor amigo no trabalho?
  11. Nos últimos 6 meses, alguém em meu trabalho conversou comigo sobre meu progresso?
  12. No ultimo ano, tive oportunidade de aprender e crescer no meu trabalho?

Essa 12 perguntas são o modo mais simples e preciso de medir a qualidade de um local de trabalho.

Quando iniciamos esta pesquisa não sabíamos que iríamos deparar com essas 12 perguntas. Mas, depois de passar 100 milhões de questões por nosso “prisma”, elas se revelaram as mais poderosas. Se você pudesse criar o tipo de ambiente no qual os funcionários respondem de maneira positiva a todas as 12 perguntas, terá construído um ótimo local para se trabalhar.

Enquanto à primeira vista essas indagações parecem bastante diretas, quanto mais você as observar, mais integrantes elas se tornarão.

Primeiro, você provavelmente notou que muitas delas contem um extremo. “Tenho um melhor amigo no trabalho?” ou  “ No meu trabalho, tenho oportunidade de fazer o que faço de melhor todos os dias?” Quando as perguntas são colocadas assim, é muito mais difícil dizer “Concordo plenamente” ou 5 em uma escala de 1 a 5. Mas era exatamente isso que queríamos. Buscávamos questões que distinguissem os departamentos mais produtivos do restante. Descobrimos que, se removêssemos a linguagem extremada, a pergunta perderia muito de seu poder de distinção. Todos diriam “Concordo plenamente” – os melhores, os piores e os que se situassem em duas posições. Uma pergunta a qual todos respondem “Concordo plenamente” é fraca.

Muito do poder desse sistema de medição reside na natureza das palavras empregadas nas perguntas. Os assuntos em si não constituem grande surpresa. A maioria das pessoas sabia, por exemplo, que os relacionamentos fortes e o elogio frequente eram ingredientes vitais de um local de trabalho saudável. Porém elas não sabiam avaliar se esses ingredientes estavam presentes ou não e, caso estivessem, até que ponto.  A Gallup descobriu as melhores perguntas para fazer exatamente isso.

Segundo, você pode estar se perguntando por que não há nenhuma pergunta sobre remuneração, benefícios, administração sênior ou estrutura organizacional. No inicio havia, mas elas desapareceram ao longo da analise. Isso não significa que não tenham importância, mas que são igualmente importantes para todos os funcionários, bons, ruins ou medianos. Sim, se você estiver pagando 20% abaixo da média de mercado, poderá ter dificuldade para atrair as pessoas. Mas elevar seu patamar de remuneração e o pacote de benefícios até o nível de mercado, embora seja um primeiro passo razoável, não o levará muito longe. Essas questões são como ingressos para o estádio, podem colocá-lo no jogo, mas não podem ajudá-lo a ganhar.    (…)

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